Muitas outras sequelas da COVID-19

Reportagem de ontem "As outras sequelas da COVID-19" do jornal El País traz uma abordagem social e antropológica sobre o impacto da pandemia.

Uma crise na vida cotidiana se instaura e o coronavírus aparece como agente gatilho de mudanças. O nostálgico desejo pela volta da rotina pré-pandemia pode não acontecer e então urge repensar nossas diretrizes de vida.

Esse texto que escrevo abre um espaço para nos levar a outros questionamentos e a procurar respostas para o momento em que vivemos. E nisso, a psicologia tem muito a contribuir!


 

Quem sou eu? Qual meu papel nessa existência?


Cada um lida com a crise de uma forma diferente e muitas vezes em direções antagônicas. Proponho abster por um minuto de juízos de valores, afinal, somos diferentes uns dos outros e é isso que dá agitação à vida em sociedade. Vivendo comportamentos distintos, tanto de fuga, como de inação, as pessoas encontram-se em crise e alguns, como se estivesse à beira de um abismo.

A inação coloca o indivíduo paralisado. Frente ao medo e a incerteza ele encolhe. Essa reação pode agravar quadros de tristeza e sintomas depressivos, como se fosse o sentimento de uma clausura em que nada mais pode ser feito.

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As fugas, que de certa forma mobilizam as pessoas para ação, podem esconder um grande sofrimento. Nessa fuga, é possível encontrar os que preferem negar a gravidade da pandemia, o que reflete em comportamentos de risco e perda do senso de coletividade. Outras, encontram no álcool e drogas uma maneira de aliviar o mal-estar que está posto. Diferentes tipos de compulsões podem emergir como sintoma do mal-estar desses tempos e para isso é importante cada um ter seu momento de reflexão para compreender os alicerces da sua existência.

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Essa crise histórica que vivenciamos também é uma oportunidade para refletir sobre nossos valores, sobre o papel que exercemos na sociedade e sobre a maneira como temos levado a nossa vida. A saída do automatismo de outrora pode nos conduzir a novos automatismos, mas também, pode ser a faísca que acenda a chama da vida, do amor e da solidariedade.

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Um terno abraço,


Rodrigo Pazzinatto

Psicólogo CRP-04/60681


https://www.instagram.com/rodrigopazzinatto/


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