A experiência do amor na vida comum

Se existe um tema que inunda meu tempo em vigília (e às vezes em sono) é o amor. Tenho pensando o tempo todo na vivência do amor em suas mais variadas formas. No amor gratuito, no sentido de doação. Amor de carinho, amor com construção. Ama-se sem querer nada em troca, sem esperar reciprocidade, sem esperar absolutamente nada. Apenas ama-se.


E o que é o amor? Pretensioso seria se tentasse definir em curtas frases um tema tão caro à vida. Poderia pensar no ponto de vista fisiológico, que diz das alterações em nosso corpo quando vivemos uma experiência de amor: ocitocina é o nome que deram ao hormônio relacionado a isso. Ou então, podemos pensar no amor do ponto de vista sociológico, daquele que edifica relações tidas como agradáveis no seio dos elos que nos fazem humanos e contribuem para amenizar o sofrimento enfrentado em nossa tão breve existência. Há um sem número de definições em que não é possível ainda alcançar a experiência de amar e de ser amado. Outro dia li uma frase da Anne Firth Murray, que é tema de uma aula da Universidade de Stanford, “O amor como uma força para a justiça social”: achei potente e necessário! Lembrei do Padre Julio Lancellotti...


O amor vai de encontro à transcendência. Daqueles momentos em que a felicidade interior é tão grande que extravasa nos olhos como uma cachoeira mansa de águas puras. É o que acontece quando há amor vazando pelo corpo. Já vivi isso, especialmente no convívio com pessoas que despertaram em mim essa alegria.


Sinto que nada do que eu disser aqui pode ensinar as pessoas a amar porque o sentimento de amor é uma construção singular. Consegui encontrar o amor a partir do momento em que minhas referências de vida passaram a ser internas, e não externas. A referência externa nos aprisiona porque passamos a viver de uma maneira tal qual fosse esperado em nossos círculos sociais. Por outro lado, o padrão externo nos fornece amparo para a maneira que vivemos, porque sabemos mais sobre as regras do jogo. Os dez mandamentos são um exemplo muito claro disso.


No entanto, viver conforme referências internas... ah! Esse sim é um encontro com o desamparo. O desamparo de ser si mesmo, em detrimento da moral instituída pela cultura. O desamparo de entrar em um jogo onde não existem regras claras, mas elas vão se construindo a partir da experiência de vida, na qual nos debruçamos no momento presente, tentando apreender aquilo que mexe com o coração. Apesar das dificuldades dessa escolha de vida, ainda assim, penso que, se existem nacos de liberdade dos quais podemos desfrutar nessa vida, esses pedaços encontram-se ancorados na força de ser si mesmo. E para isso, haja coragem... e também, muito, mas muito amor!


Rodrigo Pazzinatto


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